terça-feira, 12 de maio de 2009


Um ano após a morte do líder negro revolucionário Malcolm X, fundou-se o partido Panteras Negras, nos Estados Unidos, visando maior participação política dos negros e meios de reajuste da democracia, contra o poder dos brancos. Sem dúvida, merece ser louvado esse dura batalha contra o sistema opressor, muito comum no uso da hipocrisia social e escondendo a verdadeira face de governantes inescrupulosos – essa verdade não fora perfeitamente observada quando se fala do alto poder governamental, mas sentida, assim dando origem, conseqüentemente, ao partido negro contra a opressão. Por ser um movimento histórico de tamanha importância – exterminado aos poucos pelo poderio branco –, os Panteras Negras mereciam um filme melhor, que contabilizasse o momento histórico com saídas reais, ao contrário do típico espetáculo do cinema americano, pesado e cansativo na maneira apresentada.
Dirigido por Mario Van Peebles e lançado em 1995, quase 40 anos após a formação do grupo, o longa pouco faz se não lembrar o quão glorioso e válido foi o pedido de mudança e a real escala, sobretudo, da natureza de separação plantada numa sociedade vivendo em meio ao medo. As imagens da época, na maneira como tratavam o partido aqui mostrado, ligavam aos mesmos os ares revolucionários retrógrados que hoje tentam fazer contra qualquer grupo aspirando ideologias socialistas. Como se vê, o filme trata de um tema ainda atual, mesmo que se já preciso alternar o grupo militante em questão – pois alguns, como os Panteras Negras, deixaram de existir na prática – e evidenciando a presença de uma renovação da classe poderosa, insistindo num discurso pragmático voltado ao “bem” estar social. Na ideologia dos partidários no poder, sobretudo nos Estados Unidos, a corrente democrática será capaz de trazer um possível equilíbrio a todos. Nada disso ainda saiu do campo das promessas para a realidade, e a critica negativa a partidos como os aqui retratados fazem presença na atual conjuntura da política americana, freqüentemente sendo ameaçados.
A imagem dos negros no cinema apontava significância já nas incursões de D. W. Griffith, mesmo com atores brancos com os rostos pintados com tinta escura. De qualquer forma, valia-se, na arte, da mensagem contra as bestialidades de movimentos separatistas. Por um longo tempo, os negros integraram papéis “ingratos”, sempre como cervos da casa do patrão, ou seja, em papéis coadjuvantes que, vez ou outra, davam algum resultado. Amostra disso é a presença marcante da imponente Hattie McDaniel, como Mammy, a conselheira da bela Scarlett O’Hara em E o Vento Levou. O maior ator negro a dar as caras no cinema foi, sem dúvida, Sidney Poitier, principalmente em sua interpretação marcante em Acorrentados, dirigido por Stanley Kramer, diretor do também famoso Adivinha Quem Vem para Jantar, de 1967. Poitier começou em pequenos papéis marcantes, em filmes como Sementes de Violência, de Richard Brooks, e Um Homem tem Três Metros de Altura, de Martin Ritt. Deu abertura para toda uma liga de astros e estrelas negras a surgir nas décadas seguintes. Na mesma noite em que foi ovacionado pela Academia com um Oscar honorário (vale lembrar que ele foi o primeiro negro a ganhar o prêmio na categoria principal, em 1964, por Uma Voz nas Sombras), Denzel Washington ganhou um merecido prêmio por Dia de Treinamento.
Spike Lee dirigiu, em 1992, Malcolm X, filme sobre o líder negro, rendendo algumas críticas calorosas. Washington caiu perfeitamente bem no papel, recebendo uma importante indicação ao Oscar. As transformações americanas, tanto no cinema quanto fora dele, foram assistidas com uma longa luta racial. Por momentos, a separação foi uma idiotice mostrada como a força a favor dos donos do poder; seria assim, na contramão desse poder, que a reunião dos negros para a formação de um partido usufruindo a força física se mostrou necessário. Enquanto Martin Luther King pregava a não violência, como Gandhi fizera na Índia, Malcolm X, um exemplo aos Panteras Negras, imaginava o uso da violência como uma saída para os conflitos de classes, se fosse necessária. A diferença de discursos entre esses dois revolucionários, os mais marcantes da comunidade negra americana do século XX, é apresentado por Spike Lee no encerramento de seu filme mais famoso: Faça a Coisa Certa, pretendo dar voz a todos os lados do problema, dos brancos italianos aos negros da comunidade, em um dia quente em Nova York.
Panteras Negras não tem a força e a magnitude de nenhum destes filmes citados. É apenas um trabalho para focar a força e a presença do negro dentro de um partido organizado – sem deixar de apresentar os problemas internos, como delatores –, pecando pelo excesso do efeito espetaculoso, seja na câmera lenta ou no close abertamente calculado. A idéia de formar o partido, como aqui mostrado, surge em “pequenos” eventos, como o pedido de implantação de um semáforo no bairro e a incitação ao discurso de dois homens dentro de um bar, agredidos pela polícia por isso. Do lado das autoridades brancas o clima não poderia ser outro: classifica o inimigo como já era esperado. Portando um falso sorriso no rosto, o inconformismo frente ao comprovado poder dos negros, estes policiais teriam ido até as últimas conseqüências para minar a propagação dos ideais revolucionários, passando por Che, Mao Tse-Tung e Malcolm. O encerramento culmina na amostragem de um carregamento de drogas comprado pelo poder americano para ser implantado no bairro negro. Ou seja, pensaram em destruir o poder da oposição com o plantar de saídas para prender os mesmos. Seria redundante pensar a impossibilidade, ou mesmo questioná-la, como o absurdo que parece ser. Pode, no entanto, ser real.
Outro pecado grave cometido pelo filme é traçar esses lados do conflito como em um filme de “mocinho e bandido” e nunca com a carapaça de evento histórico que merecia, fazendo uso da câmera a favor de imagens mais realistas. E quem garante que todos os diálogos dos inimigos brancos realmente decorreram daquela devida forma? Na dúvida – ou mesmo na certeza – melhor seria se posicionar com imparcialidade. Casar cinema com um evento histórico importante é uma lição perfeitamente mostrada em A Batalha de Argel. Não precisou ser parcial para apresentar a tamanha besteira da França em insistir em permanecer no território argelino. O próprio formato e a maneira como é dirigido confere a Panteras Negras certa distância de um trabalho mais digno de lembranças ou que ao menos faça jus a importância do movimento.
Fundado por Huey Newton e Bobby Seale (interpretados por Marcus Chong e Courtney B. Vance, respectivamente) em 1966, em Oakland, Califórnia, o lema era trazer poder ao povo, instruir a massa sobre a importância do social antes de qualquer coisa – e, como sugere a frase dita a favor dessa liberdade, “Todo poder ao povo”. Em um momento raro no cinema americano, os negros estão vendendo livros vermelhos de Mao. Nos rumos dos movimentos ao redor do mundo, como os estudantes franceses de Maio de 68 e toda a luta contra os jovens mandados ao Vietnã, os Panteras Negras construíram uma marca de respeito em relação às reivindicações pelo direto das populações dos guetos. A última investida do poder branco contra eles mostrado no filme é justamente a tentativa de abastecer essas pessoas consideradas “à margem da sociedade” com drogas. Como mostra os letreiros finais, a droga vendida nas ruas não se aplica exclusivamente a bairros negros, mas a todos os locais de possível compra e venda – em todos os cantos dos Estados Unidos. Teoria conspiratória ou não, pelos menos é uma maneira muito forte de encerrar um filme sobre um partido cuja história foi terminando aos poucos. A herança desses conflitos aponta o dedo para os brancos, ainda tendo de conviver, como mostra o filme, com a culpa pela presença das drogas na sociedade americana, de brancos, negros e de outras etnias. O filme acerta em provocar novamente uma discussão em volta dos ideais do movimento negro; erra na maneira como apresenta tudo isso, na condução do espetáculo a favor de uma mensagem que nem ao menos combina com o que deseja ser passado. Esse “show” certamente passa pela cabeça dos antes jovens da época dos eventos, ou por algumas delas, e não traduz a realidade como ela foi. O discurso prevalece a favor do filme
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009




É pessoal, como nos foi relatado, por Jorge Naymaier 1º Violão da Estado Maior da Restinga, a escola veio mostra, por que faz parte do grupo especial do carnaval de Porto Alegre, conquistando o terceiro lugar a Estado Maior começa provar que a hegemonia da escola não se perdeu e está recompondo suas forças assim o Cisne se transforma em Fênix a ave que ressurge das cinzas....
Hegemonia

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009





Infeliz mente a Estado Maior Da Restinga nos últimos anos não tem conseguido manter a hegemonia de uma das grandes do grupo especial, porém agora com uma nova gestão e novos ideais, seus integrantes se dizem motivados e prontos para enfrentar as coirmãs de igual, ate mesmo com um certo "Q" de vencedor a mais. Pois o carnaval de 2009 promete. Segundo um dos integrantes da harmonia Jorge Naymaer primeiro violão das Estado Maior, afirma que, a escola tem um belo samba que proporciona bons arranjos harmônicos, e uma cumplicidade com a bateria, tornando assim o trabalho do puxador Renam muito mais fácil e divertido, requisitos indispensáveis para a passarela do samba.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Segurança pro que ?

E ai pessoal vamos nos ater, novamente somos obrigados a compactuar com os disparates da segurança pública, que não da respaldo suficiente para que as escolas de samba de Porto Alegre se apresentem no conforto da segurança, mais um caso envolvendo a escola de samba do grupo especial da Capital, entidade denominada Estado Maior Da Restinga, que na sexta feira do dia 20 de Dezembro de 2008, por tal falta de proteção, passou pelo constrangimento de ao entrar na avenida Borges de Medeiros para efetuar seu desfile, deparou-se com pessoas mau intencionadas, que na tentativa de invadir a área reservada para a escola e seus componentes começaram provocações e agressões ateando bebidas e latas de cerveja, causando um frenesi e um descontrole geral, a pouca assistência da Segurança Pública proporcionou um fim desagradável que somado ao mau ver de uma parte de nossa sociedade que reluta em aceitar e tentam acabar com o espetáculo do povo afro descendente e digo mais é tido como uma das maravilhas do mundo o nosso tão famoso carnaval de avenida.
Everton Padilha

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Projeto Pentefyno




Pois bem galera, estamos entrando em um novo ano e as novidades já vem surgindo, pode ser uma noticia não tão nova assim, mas tende a mudar o cenário gaúcho musical.
A rapaziada do Projeto Pente Fino está em uma empreitada, desenvolvendo um trabalho sobre o samba-rock, que fará com que sejamos reconhecidos no quadro musical do país. Este projeto vem com a intenção de contar a história do samba-rock e seus passos dentro e fora do território gaúcho.
É bom todos estarmos ligados, pois o documentário traz um elenco de primeira linha, e pitorescos relatos dos precursores deste ritmo, que envolve e abrilhanta as noites da capital gaúcha, então galera, conheçam agora este belo trabalho através da pagina do grupo
www.projetopentefyno.com.br

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Rimas do Povo



Eu quis ser um poeta não sei recitar, quis ser dançarino, mas não sei bailar, nas rimas do povo samba de morro, palma da mão firmando a voz cantando o refrão diz de novo samba do povo morado do morro, firmando na voz mostrando pra nos bate na mão canta o refrão tantan, repique, pandeiro, cavaco e o violão dão entonação pra arte do povo chamamos de novo seu nome é samba, samba de morro.
Eu quis ser modelo, mas não sei desfilar, brincava de astro-nauta, ouvindo samba de Aragão cantado por Beth um belo refrão, também quis ser pai assim como seu Almir pai do Banjo com seu belo arranjo, brincava, rimava lecionava nas academias dos guetos populares, nos morros, favelas e fundo de quintais, nossos areais, cultura de nossos ancestrais, gente vigiada, gente mau tratada da África mãe arrancada e com sua negritude chamada virtude trouxeram, nos porões, alçapões sua sonoridade de seu ulundum, batuque ou semba que com toda sua beleza agora virou samba, arte popular, do barraco, da tapera do lar do gueto do beco da esquina . Diz de novo rima do povo samba de morro, palma da mão firmando a voz cantando o refrão. Diz de novo samba do povo morada do morro, firmado na voz mostrando pra nos batendo na mão cantando o refrão.

Letra : Everton Padilha

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Osuanlele Okize Erupê "Principe Custodio"



Custodio Joaquim de Almeida, um homem poderoso líder espiritual e de grande influência, oriundo de Benin na Africa e extraditado para o Brasil em 02 de Setembro de 1898 com sua chegada a Porto Alegre Capital do Estado prevista para 1900. Este homem traçou uma história cheia de mistérios e deixou um legado para os negros que o descendem.
Com a invasão inglesa em 1897, muitos nobres africanos são forçados a abandonar Benin a procura de refugio em outras regiões da Africa, o local escolhido pelo príncipe Negro foi São João Batista de Ajuda, porto não muito distante de Benin. La morou durante dois meses acompanhado por parte de seu conselho, e dali parte para o Brasil.
Contudo sua saída tem uma porção de versões, e todas ligadas a invasão britânica, uma delas diz que Osuanlele teria feito um acordo para deixar o país e viver no estrangeiro em troca de uma pensão do governo Inglês.
Em 2 de Setembro de 1898, o príncipe Custódio, pisa em solo brasileiro, mais exato na Bahia terra de todos os Santos onde permanecerá por um breve tempo, logo em seguida parte para o Rio de Janeiro ficando aproximadamente por dois meses.
Com orientação dos Búzios e os Orixás recebe indicação de migrar para o sul do Brasil, chegando a cidade portuária de Rio Grande em 1899, como conta sua história prováveis represalhas enviados por seus inimigos da Africa o remetem a novas mudanças o levando então a Pelotas, no ano de 1900 onde conhecera o politico Julho de Castilhos que procurava uma cura para seu câncer de garganta fato este que implica em mais uma vez, com a interferência dos Orixás a mais uma mudança, levando o príncipe a encontrar novo refugio desta vez em Bagé, onde acaba fortalecendo as questões da religião africana, presente no sul do país mas com aceitação ainda pouco aprovada por parte da população, o que faz passar por algumas ressalvas.
Sujeito mobilizador e de grande influência conseguira conquistar grandes coisas e sua fama cada vez mais se expandia pelo país. Seus feitos como curandeiro a traem a atenção de Júlio de Castilho que propõem sua mudança para a capital Porto Alegre.
Com a aprovação dos Orixás, Custódio Joaquim de Almeida chega para não mais sair, constroe moradia na Rua Lopo Gonçalves nº498, onde recebia várias personalidades, tanto de outras capitais quanto da própria mãe Africa.
Sua presença contribui para o fim das perseguições exercidas as casas de religião, o que se tornou bem marcante a pós sua morte.
Outro feito em sua passagem por Porto Alegre foi o assentamento de um Bará, que é o guardião das casas, cidades e das pessoas, na África também é comum este tipo de ritual nos mercados.
Hoje o Estado tem uma representação muito forte no cenário afro religioso com cerca de 70.000 (setenta mil casas de religião), é quase como um quilombo, em desenvolvimento sócio-cultural.
Com tudo, a passagem de um século, não altera as Características dos praticantes da religião africana, seguem o ritual de agradecimento ao Bará que resíde no mercado, para cumprimentar e agradecer a entidade assentada pelo príncipe Custódio.
O nome escolhido pelo príncipe ainda é uma incógnita para nós, mas a curiosidade é que seu sobre nome teria semelhança com um ex-escravo chamado Manuel Joaquim D'Almeida.
Após sua trajetória em terrenos Gaúcho morre o príncipe negro Osuanlele Okize Erupê, em Maio de 1935, aos 104 anos, na casa em que desde de sua chegada a Capital residiu. Deixando um legado para gerações futuras, repleta de religiosidade e mistério a serem pesquisados e contado a nossa comunidade afro asileira.

Agraço aos manos do Projeto Pente Fyno, que nos deram a oportunidade de conhecer um pouco da vida, deste grande homem que faz parte da nossa história.
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